Brasil na DW

Brazil S/A_100% Brasil

Com o intuito de privilegiar o profissional do design, o Brazil S/A, criado pelos sócios José Roberto Moreira do Valle e Ricardo Caminada, leva para Milão a exposição 100% Brasil, evento que acontece entre os dias 08 e 13 de abril no Palazzo Giureconsulti, durante a Design Week – Salão Internacional do Móvel em Milão.
O foco principal da exposição é fomentar o design nacional, valorizando designers brasileiros em âmbito internacional. Estarão presentes Ale Jordão, Daniel Simonini, Estúdio Bola, Fábio Galleazo, Fernando Prado, Marcelo Rosembaum, Quadrante Design, Olavo Machado, Questto Nó, Zanini de Zanine entre outros. A mostra leva a Milão o que há de mais sofisticado e contemporâneo em peças de design com toda criatividade nacional.

O Brazil S/A é um espaço de relacionamento entre empresas e profissionais brasileiros com o mercado nacional e internacional, que tem como intuito promover a imagem do design nacional e aumentar a visibilidade de produtos, gerando negócios voltados à exportação deste segmento, por meio de divulgação durante a Design Week de Milão.

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Origens do Brasil
“Origens do Brasil” reúne banquinhos de sentar contemporâneos, concebidos por povos indígenas, comunidades artesanais e designers brasileiros, das várias regiões do país. A curadoria é de Adélia Borges.

Os bancos indígenas seguem formatos e grafismos plenos de significados, que atravessam gerações. Feitos em uma só peça de madeira, seus formatos variam. Alguns mimetizam animais como a onça, o macaco, o gavião ou o urubu; enquanto outros têm formas limpas que parecem saídas dos manuais da Bauhaus. Alguns são particularmente ricos nos grafismos.

Os bancos populares, de autoria anônima, empregam materiais que estão à mão na comunidade em que vivem seus artesãos e tantas vezes encerram valiosas lições de conforto ergonômico e de uso apropriado de matérias-primas. No banco caipira do interior de Minas Gerais, por exemplo, a dupla inclinação no assento oferece condições perfeitas de conforto para quem senta, e a estruturação dos pés confere resistência e durabilidade à peça.

Já os bancos feitos por designers em alguns casos bebem direto da lição popular. Este é o caso de Sergio Rodrigues, que se inspirou no banquinho de tirar leite para criar seu celebrado Mocho, de 1954, um dos ícones do design brasileiro, e que em 2014 está fazendo 60 anos de vida.

“A exposição vai mostrar como uma mesma função – o sentar – pode gerar objetos totalmente diferentes entre si. Evidencia-se, assim, que a forma segue, sim, a função, mas vai além, expressando a cultura dos lugares em que os objetos são concebidos e elaborados”, diz a curadora Adélia Borges. Ela observa que o conteúdo da exposição reflete o multiculturalismo, “um valor seminal da cultura e do design brasileiros”.

Adélia ressalta a presença de grandes designers brasileiros na exposição, tais como Ilse Lang, Marko Brajovik, Pedro Useche, Sergio Mattos e Rodrigo Almeida, e a diversidade de procedência geográfica das peças apresentadas, que provêm de 12 estados brasileiros.

Participantes

Povos indígenas: Juruna, MT; Karaja, TO; Mehinako, MT; Suyá, MT; Trumai, MT; Tukano, AM; Wajampi, AP; Waurá, MT

Designers: Atelier Marko Brajovik, SP; Flávia Pagotti Silva, SP; Genival Santos, AL; Ilse Lang, RS; José Paraguai, CE; Tina Moura e Lui Lo Pumo, RS; Patricia Naves, MG; Pedro Useche, SP; Quadrante Design, MA; Rodrigo Almeida, SP; Rona Silva, AL; Sergio Mattos, PB; Sergio Rodrigues, RJ; Yang da Paz Farias, AL.

Há várias peças artesanais sem assinatura.

Curadoria
A curadoria é de Adélia Borges, que tem uma atuação profissional estruturada em três eixos: os textos (para imprensa e livros), as exposições e as palestras e aulas. É autora ou co-autora de mais de 10 livros, entre eles Móvel Brasileiro Contemporâneo, de 2013; e Design + Artesanato: O Caminho Brasileiro, de 2011. Artigos, textos para catálogos ou capítulos de livros de sua autoria já foram publicados em português, alemão, coreano, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês.

Entre as exposições de que foi curadora, destacam-se Novos Alquimistas, no Instituto Itaú Cultural, São Paulo, em 1999; Uma História do Sentar, no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, em 2002; Kumuro – Bancos Indígenas da Amazônia, no Carreau du Temple, Paris, em 2006; Ícones do Design França/ Brasil, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2009; Design Brasileiro Hoje: Fronteiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2009; Puras Misturas, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo, em 2010; Jewels from Brazil, The Civic Cultural Centre, Barnsley, Inglaterra, em 2011; In Praise of Diversity, na Droog Gallery, Amsterdam, em 2012; e Design da Periferia, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo, em 2013. Foi curadora-chefe da Bienal Brasileira de Design, em Curitiba, em 2010. No momento, prepara a curadoria da próxima Bienal, a se realizar em Florianópolis em 2015.

Professora de história do design na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Adélia fez palestras em quase todos os estados brasileiros e vários países, tais como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, México, Panamá, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Finlândia, Holanda, Inglaterra, Austrália, Índia e Japão.

Pertence ao conselho de várias instituições, entre as quais Comitê de Indicação do Design Prize do London Design Museum, Londres; Comitê Curatorial da Trienal 2015 do Cooper-Hewitt Design Museum, Nova York; e Conselho do Instituto Sergio Rodrigues, Rio de Janeiro.

http://www.adeliaborges.com

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