O que é ser contemporâneo?

Seminario Arte Brasileiros Rio de Janeiro 09 setembro 2014

#Fique por dentro do que é ser contemporâneo#

Não poderia deixar de postar as novidades sobre o tema contemporaneidade. Afinal, a arte influencia a vida e vice versa e permeia nossos afazeres, produções, pensamentos e ações.

Aconteceu, no Rio de Janeiro, o III Seminário de Arte Contemporânea que discutiu o tema O que ser contemporâneo“. Um dia antes da abertura do #ArtRio, no dia 09 de setembro, a #ArteBrasileiros antecipou o assunto com programação no #CCBB incluindo convidados internacionais. Tive a grande oportunidade de estar presente, e compartilho com vocês o melhor apresentado neste seminário!

Na  abertura foi mencionado o tema da 31ºBienal de São Paulo Como falar de coisas que não existem” e linkado com  o tema em discussão do dia: Afinal, o que é ser contemporâneo? Entre reflexões e apresentação de cases, a arte contemporânea não ganhou uma definição exata e foi tratada como uma arte aberta a inúmeras possibilidades. Porém estas possibilidades estão diretamente ligadas ao tempo, aliás, este, sendo seu maior protagonista. Falou-se em passado, presente e futuro. Mas como ser contemporâneo neste caso?

A professora da UFF, Tania Riveira, discutiu o contemporâneo a partir de uma indefinição como pensamento. Um abismo onde mais que ser objeto de pensamento, o ser contemporâneo seja uma posição de fala. O contemporâneo como abismo, indefinição, expectativa, novidade, extensão de possibilidades. [ Somos contemporâneos uns dos outros.]

Já Galit Eilat, curadora da 31ºBienal SP, chamou atenção para o Messianic time of the present” levando em consideração a influência da política na arte. E a comparou com o messianismo judeu que é baseado em crenças: “It is about religion, identity , contemporary messianism.

Para o curador da 31º Bienal SP, Charles Esche, o moderno racional e científico deve caminhar em direção ao contemporâneo. O tempo não é medido em números e sim, determinado em momentos. Para justificar citou um trecho do filosofo alemão Walter Benjamin (1940) que em sua tese Concept of History diz : “To articulate the past historically does not mean to recognize it ‘the way it really was.’ It means to seize hold of a memory as it flashes up at a moment of danger”
Como rescrever o passado no presente? Ou seja, como não ficar preso ao passado, aos acervos estáticos, às obras que precisam tomar forma hoje com uma apresentação que reflita a atualidade. Menciona a importância do coletivo, onde este é mais real que o individual e cria nostalgia.
O termo Tradição  também entrou no assunto, lembrando que o contemporâneo precisa manter distância do conformismo e mudar o que possivelmente seríamos hoje.

A convidada Allana Heiss, fundadora do Moma Ps1 defendeu que o contemporâneo exige uma nova apresentação (do passado). Sobre o MomaPs1, um grande sucesso, não se sabe até quando dura e até quando será aceito, sendo esta uma das características do Contemporâneo. Citou algumas de suas iniciativas que têm tido grande sucesso com o público, como os eventos  the drums 2013, de Nomi Ruiz

Marco Brambilla discutiu alguns pontos como a relação entre o espaço inside x outside, interpretação da interpretação, a importância de abraçar e não ignorar a arquitetura moderna, uma vez que estamos debaixo dela, linkando também com a arquitetura da mente, e a importância do espaço pensado para nós, seres humanos. (enquanto vivência, experiência).

Adrienne Edwards, curadora da Performa USA, apresentou o Instituto que tem, na performance, sua principal aliada na arte contemporânea. Para Adrienne, o conjunto, que inclui o Instituto em seu discurso sobre a dança no mundo, o Consortium, que realiza co-produções e os Pavillions que formalizam o engajamento ditam o sucesso do Performa. Vale a pena dar uma espiada na programação deles.

Liz Munsel, curadora do Museum of fine Art of Boston também citou as performances como linguagem enquanto arte contemporânea, uma dos exemplos citados foi Marina Abramovic, Moma, 2010.
A experiência é realmente importante dentro das propostas do Museu e deve ser relevante aos jovens, enfatizando o futuro possível. Encorporar a  arte latina é uma das estratégias do museu para seguir renovando o acervo, bem como incluir uma conexão entre o local e internacional, práticas interdisciplinares, programação e exposições especiais e diálogos entre presente e passado. Entre a programação proposta Liz Munsel apresenta o 5evening programm que inclui atividades fora do comum, como o “Chef – behind the scenes“> Um programa que dá visibilidade aos personagens do backstage (invisible eyes) que têm uma história para contar e cultura para compartilhar .Bem como cita David Levine em odd spaces: painel de discussão. Ou Jeffrey Gibson em conversation in pollock paintings – time line 2014. Ou Paty Chang* e suas performances.      *(Onto Objects is a one-night exhibition featuring new performance artworks by Patty Chang and Jeffrey Gibson. In their performances, each artist engages with objects they selected from the MFA’s encyclopedic collection.)
Outro obra mencionada foi a de Lázaro Savaaedra >Funerary egocentrism (performance 2014)
*(Saavedra has consistently used performance art to prioritize the public’s relationship with art over the ownership of art objects.)
E a obra de Regina Jose Galindobig bang 2014 mostrou que a arte contemporânea também pode ter um discurso voltado para questões como economia, consumo consciente, sustentabilidade…

Nataly Bell, associada curatorial do New Museum, NY teve uma das exposições mais interessantes mostrando como os museus hoje podem ter um acervo realmente contemporâneo. “There is no collection | there is no relationship“. Há sempre novas aquisições. A obras expostas devem ter no máximo 10 anos e sempre adquirem ao menos 1 obra de cada exposição para manter o acervo atualizado e nunca estático. Os artistas devem estar vivos.
Os diálogos e controvérsias devem coexistir. É importante abraçar os riscos apontando para um programa que envolva menos arte histórica e mais video, performance e instalações atuais. Experimentação e inovação como forma de propor experiências intensas. Os temas abordados nas obras e nos diálogos incluem assuntos atuais como aids, gays, sexualidade, bad art (not beauty), raças, religião, política…Além de propor atividades como performances para o público jovem e conversação global (G.Class).

No site da Arte!Brasileiros você encontra o video do Seminário na íntegra!

[cooltips by DeniCorsino]

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